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Cariacica deve aproveitar a chance de ser um laboratório contra o crime

O programa federal "Em frente, Brasil", que inclui o envio da Força Nacional de Segurança Pública ao município, é a grande aposta de Sergio Moro até agora

Força Nacional atua no município de Cariacica, no Espírito Santo
Força Nacional atua no município de Cariacica, no Espírito Santo
Foto: Vitor Jubini

A atuação da Força Nacional de Segurança Pública em Cariacica marca o início de um projeto-piloto de enfrentamento à criminalidade do Ministério da Justiça que precisa ser encarado com o engajamento de todos os atores públicos envolvidos. O município não foi escolhido por acaso: integra o grupo das 120 cidades mais violentas do país, segundo o Ipea. Em trajetória distinta da Serra, que tem conseguido reverter de forma contínua o número de homicídios, Cariacica não tem sido capaz de aplacar a violência. Em abril passado, um homicídio foi registrado a cada 30 horas na cidade.

> O que sabemos até agora sobre a Força Nacional em Cariacica

O programa federal “Em frente, Brasil”, que inclui o envio da tropa de cem homens, é a grande aposta de Sergio Moro até agora. Enquanto o pacote anticrime acabou engavetado, o programa já tem chances de começar a proporcionar resultados concretos. Por envolver investimentos em inteligência e em ações sociais e econômicas, o projeto tem um potencial transformador, se for bem trabalhado, principalmente com o cumprimento de acordos e metas.

Inclui, além de Cariacica como representante do Sudeste, outras quatro cidades de cada região do Brasil: São José dos Pinhais (PR), Ananindeua (PA), Paulista (PE) e Goiânia (GO). Municípios que, com apoio de prefeitos e governos estaduais, têm a oportunidade de se envolver em um empreendimento inédito no país, que responde a uma demanda antiga na segurança pública: a do empenho conjunto de todas as esferas.

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Os recursos federais preveem o aperfeiçoamento tecnológico nas áreas de combate a crimes violentos, como homicídio, feminicídio, latrocínio e estupro. Os cem agentes da Força Nacional, que incluirão atiradores de elite, mapearão as áreas de maior vulnerabilidade e atuarão com a Polícia Militar. No projeto nacional, há a participação das guardas municipais, o que ainda falta a Cariacica.

Está prevista a implantação de um disque-denúncia, na linha 162, para o registro de possíveis abusos ou truculência desses agentes forasteiros. Numa segunda fase, programada para novembro, o foco será social. Ressalta-se assim a importância da inclusão, que só será propiciada com o crescimento econômico e a retomada do emprego.

Ninguém espera que seja fácil. A criminalidade é multicausal, são muitas frentes a serem abertas, para que a pacificação plena se viabilize. Mesmo que o sucesso seja pontual, com resultados perceptíveis em médio e longo prazo, é preciso partir de algum lugar, avaliando erros e acertos. Cariacica será um laboratório e deve aproveitar a oportunidade.

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