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Casos de assédio impõem conduta cada vez mais exemplar a professores

Por lidar com indivíduos em fase de desenvolvimento, um educador deve entender o seu papel e a influência que exerce sobre quem ocupa as carteiras em sala de aula

Alunos da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel manifestam apoio a estudantes que denunciaram casos de assédio na escola
Alunos da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel manifestam apoio a estudantes que denunciaram casos de assédio na escola
Foto: Arquivo Pessoal

Na relação entre aluno e professor, é preciso haver uma distância regulamentar. O que não se trata necessariamente de um afastamento tão rígido que impeça o diálogo e a conversa, inviabilizando assim os próprios objetivos educacionais.

Mas, principalmente por lidar com indivíduos em fase de desenvolvimento, um educador deve entender o seu papel e a influência que exerce sobre quem ocupa as carteiras em sala de aula. Ele é uma figura imprescindível para a formação de crianças e adolescentes e deve seguir certos protocolos de comportamento. Como qualquer profissional, vale ressaltar.

Foi por se sentirem acuadas diante dos avanços de um professor que alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, na Serra, passaram a usar as redes sociais para se fazerem ouvidas. O episódio ganhou repercussão em junho, quando duas estudantes procuraram a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para registrar um boletim de ocorrência, o caminho correto a ser percorrido nesses casos. Só assim, autoridades policiais e judiciais são capazes de encaminhar a investigação e, assim, garantir também o direito de defesa.

>Entenda o que é considerado assédio sexual dentro do ambiente escolar

Desde então, este jornal passou a perseguir, com a Secretaria de Estado Educação (Sedu), o número de casos de assédio sexual no Espírito Santo. Atualmente, há 17 professores investigados internamente, em 13 processos. Apenas dois estão afastados.

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Um professor ou uma professora devem ter em mente que não existe “paquera” no ambiente escolar. Nunca existiu, mas os tempos eram outros, e muitos subvertiam esse princípio por existir uma vista grossa praticamente institucionalizada. Mas o fato é que o mestre exerce uma função hierárquica superior a do aluno, o que faz com que qualquer insinuação de cunho sexual se configure assédio, pelo constrangimento físico ou emocional causado. A sociedade está cada vez mais atenta ao comportamento dos educadores nesse sentido, principalmente por conta das consequências negativas não só para o processo de aprendizado, mas para a própria vida de alunos e alunas.

O respeito ao professor é algo que se aprende desde o primeiro dia na escola. O que ainda falta a certos professores, com a visão distorcida da sua própria profissão, é aprender a respeitar os próprios alunos. Só assim limites não serão ultrapassados.

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