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Técnica inédita no Norte do ES retira tumor cerebral pelo nariz

Menos invasiva que a cirurgia convencional, técnica realizada em Linhares não deixa cicatriz à mostra e recuperação pós-operatória é melhor para paciente

Equipe médica reunida em procedimento de retirada de tumor cerebral por tubo introduzido na narina
Equipe médica reunida em procedimento de retirada de tumor cerebral por tubo introduzido na narina
Foto: Pedro Boechat

Foi realizado pela primeira vez na região Norte do Espírito Santo um procedimento de retirada de tumor cerebral por meio das narinas, com a introdução de uma espécie de tubo conectado a uma câmera. A técnica foi realizada em 29 de junho, em um hospital de Linhares, por equipe médica composta por neurocirurgiões e otorrinolaringologista.

PROCEDIMENTO MENOS INVASIVO 

A técnica pouco conhecida no Estado é chamada de "neurocirurgia endoscópica transesfenoidal para retirada de tumores intracranianos" e tem duração operatória e pós-operatória menor do que a cirurgia convencional, que é mais invasiva e que deixa cicatriz à mostra.

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Para realização do procedimento são necessários pelo menos três médicos. Para o caso de Linhares, a equipe foi composta por Pedro Boechat, neurocirurgião, Ângelo Guarconi Netto, da mesma especialidade, Leandro Ribeiro Chiarelli, único otorrinolaringologista do grupo e Carlos Eugênio Monteiro de Barros, também neurocirurgião.

COMO É A TÉCNICA

Procedimento de retirada de tumor cerebral pela narina utiliza pinça e envolve pelo menos três médicos
Procedimento de retirada de tumor cerebral pela narina utiliza pinça e envolve pelo menos três médicos
Foto: Pedro Boechat

De acordo com Pedro Boechat, a grande vantagem do procedimento é o fato de ser uma cirurgia sem cortes.

"A gente coloca uma câmera pela narina e faz acesso nasal até a base do crânio, acompanhando por uma televisão. Os tumores ficam na região da sela túrcica, aonde está alojada a glândula hipófise. Quando chegamos nessa área, usamos uma série de pinças. Abrimos a base do crânio pelo nariz e os tumores dessa área nascem na hipófise. Retiramos então o tumor com as pinças. O otorrino fica em uma narina e eu fico na outra. Ele vai filmando e eu vou puxando o tumor", explicou. 

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SUS NÃO COBRE VALOR TOTAL

No caso da realização da cirurgia sem auxílio do Sistema Único de Saúde (SUS), é difícil estimar o valor. "Isso varia de cirurgião para cirurgião, mas não sai por menos de R$ 100 mil. Infelizmente o SUS não cobre, paga apenas o material necessário. Conseguimos realizar o procedimento por acreditarmos que ele era o melhor para o caso e porque tivemos a cortesia de uma empresa que custeou. O SUS por si só não pagou nem R$ 3 mil para toda a equipe", confessou.

Para o especialista, é necessária a divulgação ampla do procedimento como conscientização de uma política de saúde que deve ser implementada também pelo poder público, que deveria ter participação neste avanço.

OPÇÃO PELO PROCEDIMENTO

Otorrinolaringologista Leandro Ribeiro Chiarelli, à esquerda, e neurocirurgião Pedro Boechat, à direita
Otorrinolaringologista Leandro Ribeiro Chiarelli, à esquerda, e neurocirurgião Pedro Boechat, à direita
Foto: Pedro Boechat

Segundo o neurocirurgião, a opção por este tipo de cirurgia depende primeiramente da localização do tumor. Em alguns casos, em que os tumores estão muito longe das fossas nasais, não há como chegar lá com esta técnica. "Seria difícil por exemplo em caso de tumor na região da nuca. O procedimento é mais indicado nos casos de serem da base do crânio", disse.

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"É uma técnica sem corte, que não faz a retirada de osso do crânio. Um detalhe, mas que faz a diferença, em especial para mulheres, é a desnecessidade de corte do cabelo. Além disso, é uma cirurgia de tempo operatório e pós-operatório menor, bem como menor tempo de internação, menos risco de complicação, menos tempo na UTI, recuperação melhor, mais rápida. No caso de Linhares, acabou a cirurgia e a paciente já pode acordar", narrou. 

VÍDEO MOSTRA PARTE DO PROCEDIMENTO

 Atenção  A gravação abaixo foi cedida pelos médicos que participaram do procedimento. As imagens podem ser consideradas fortes.

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