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Surto em creche: crianças não podem voltar a estudar imediatamente

Nota técnica emitida pelo Ministério da Saúde e Secretaria Municipal de Saúde de Vila Velha informam que as crianças só poderão ser rematriculadas após 28 de abril

Faixa colocada por pais em muro de creche na Praia da Costa, em Vila Velha.
Faixa colocada por pais em muro de creche na Praia da Costa, em Vila Velha.
Foto: José Carlos Schaeffer

As crianças que frequentavam a creche Praia Baby, na Praia da Costa, em Vila Velha, só poderão ser rematriculadas em outro local após o dia 28 de abril. A orientação foi divulgada em uma nota conjunta assinada pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias de Saúde do Estado e de Vila Velha.

“Considerando a gravidade desta doença, o período máximo de incubação de quinze dias e o período máximo de transmissibilidade de quinze dias, as autoridades de Saúde do Município, do Estado e do Ministério da Saúde recomendam que o retorno às aulas dessas crianças ocorra a partir do dia vinte e oito de abril de 2019”, afirma o documento, que também foi enviado aos pais das crianças.

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Na creche foi identificado um surto de gastroenterite, que começou em 15 de março. Até o momento, 22 pessoas apresentaram sintomas, sendo 18 delas (cinco adultos e 13 crianças) da creche. Dentre as notificações, quatro são de pessoas que não frequentavam a creche, sendo todas familiares de uma professora da instituição. Um dos alunos, um menino de 2 anos, morreu no dia 27 de março

A creche foi interditada em 29 de março e permanece fechada desde então. A nota, que também é assinada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Sociedade de Brasileira de Infectologia, não informa quando o local poderá reabrir. “O processo investigativo do Estabelecimento particular é complexo e que demandará o tempo necessário à elucidação dos fatos, para que episódios da espécie não venham a se repetir”, diz o documento.

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De acordo com as orientações dos órgãos de saúde, até o dia 29 de março, as crianças também não podem ser matriculadas em outras instituições de ensino. A medida vale também para aquelas que não apresentaram nenhum sintoma.

VÍNCULO

A nota informativa afirma ainda que a investigação tem demonstrado vínculo entre as crianças que passaram mal e o ambiente da creche particular. “Exames laboratoriais demonstraram indícios da presença do mesmo agente etiológico em amostras de água coletadas no ambiente escolar e amostras de fezes de crianças sintomáticas.” O documento afirma que os trabalhos devem continuar para confirmar a fonte da transmissão da bactéria causadora do surto e para que sejam feitas adequações na creche para reabertura.

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Já o quiosque, onde duas das crianças que ficaram doentes lancharam dias antes do início dos sintomas, foi eliminado das suspeitas. Os resultados das análises laboratoriais não detectaram presença de bactérias capazes de causar doença nas amostras de água, comida ou instrumentos coletados no local.

Pais questionam

A reportagem conversou com pais de crianças matriculadas na creche que reclamaram do conteúdo da nota. Eles dizem que o comunicado ainda não foi totalmente esclarecedor. O publicitário Junior Batista, que tem uma filha de 3 anos matriculada na creche, reclama da falta de informações técnicas, como laudos e resultados de exames.

“Ali não anexaram nenhum laudo, nenhum resultado de exame, não anexaram nada. Simplesmente estão fazendo mais um alarde a população. A gente está há 20 dias sem notícias das autoridades sem falar o que tem que fazer. Aí hoje vem falar que a gente tem que ficar mais 20 dias sem matricular nossas crianças em nenhuma creche? Acho que é mais uma nota irresponsável”, reclamou.

Já o analista comercial Leonardo Có, que também tem uma filha de 3 anos que estuda na unidade, questiona a restrição feita a matriculas em outras creches e a falta de informação sobre a presença das crianças e familiares em outros ambientes.

“Colocou agora essa impossibilidade de ir para creche até o dia 28. E ir para outro ambiente? Posso ir para o shopping? A nota não fala disso. Em nenhum lugar fala se eu posso ir para outro ambiente público. Ambiente com aglomeração de pessoas”, questiona.

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