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Rodoviários decidem continuar com a greve de ônibus na Grande Vitória

A categoria se reuniu em assembleia no Centro de Vitória e decidiu por continuar com a paralisação; veja detalhes

Rodoviários na garagem da Santa Zita, em Marcílio de Noronha, Viana
Rodoviários na garagem da Santa Zita, em Marcílio de Noronha, Viana
Foto: Diony Silva/TV Gazeta

Durante assembleia realizada na tarde desta segunda-feira (12), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Estpírito Santo (Sindirodoviários) decidiu por continuar com a greve de ônibus na Grande Vitória. A decisão foi tomada pelos rodoviários durante a reunião que aconteceu na Praça Oito, no Centro de Vitória, e teve início às 16h15.

No início da assembleia, os rodoviários informaram que receberam uma nova liminar da Justiça do Trabalho determinando que 75% da frota circule durante a paralisação, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia. Lá, a lista com as dez garantias do Governo do Estado para a categoria foi lida, e o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) disse que a lista era para "enganar trouxa".

> TEMPO REAL | Greve dos rodoviários: acompanhe reflexos da paralisação na Grande Vitória

Ficou decidido que já a partir das 17 horas desta segunda-feira (12) a circulação de 75% da frota de ônibus seja reestabelecida gradativamente. "Vocês mostraram que estão empenhados nessa luta. Sem luta, não há vitória. Vamos nos unir, criar estratégias. Vamos fazer de tudo para vencer essa batalha. Não é uma liminar ou outra que vai desanimar o nosso trabalho", completou o presidente do Sindirodoviários José Carlos Sales Cardoso.

 

Assembleia com rodoviários no Centro de Vitória
Assembleia com rodoviários no Centro de Vitória
Foto: Iara Diniz

500 MIL PASSAGEIROS AFETADOS

A Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb/ES) relatou que 500 mil passageiros foram afetados pela paralisação dos rodoviários nesta segunda-feira (12).

PREJUÍZO DE R$ 10 MILHÕES NO COMÉRCIO

O presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, estima que falta de ônibus e a não circulação dos consumidores vão causar um prejuízo de R$ 10 milhões ao comércio da Grande Vitória nesta segunda.

“Lamentamos profundamente mais um dia de prejuízo em todo o setor produtivo e em toda cadeia que envolve o comércio, a indústria e os serviços terceirizados. Hoje nós vamos contabilizar, no mínimo, R$ 10 milhões de prejuízo. Vamos deixar de faturar”.

"PREJUÍZO DE R$ 442 MILHÕES POR DIA", DIZ FINDES

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) informou, por meio de nota, nesta segunda-feira (12), que repudia a paralisação dos rodoviários no formato em que se apresenta. A entidade prevê prejuízos de R$ 422 milhões por dia útil, "considerando Indústria, Comércio, Serviços e Agro". Inicialmente, a Findes havia divulgado que o prejuízo seria de R$ 410 milhões.

"Pelo menos 500 mil trabalhadores, de acordo com a Ceturb, estão impedidos de chegar aos seus postos de trabalho, o que afeta profundamente a produção da indústria, cujo faturamento por dia útil gira em torno de R$ 287 milhões. Considerando Indústria, Comércio, Serviços e Agro, o valor chega a R$ 422 milhões por dia útil", informou, por meio de nota.

COBERTURA FOTOGRÁFICA DA GREVE EM VITÓRIA

LEITORES OPINAM SOBRE GREVE DOS RODOVIÁRIOS

A greve dos rodoviários alterou a rotina de muitas pessoas que pretendiam ir ao trabalho, escola ou a algum compromisso na manhã desta segunda-feira (12). Segundo o presidente do Sindirodoviários, José Carlos Sales Cardoso, 95% da categoria aderiu ao movimento. A paralisação foi um dos assuntos mais debatidos nas redes sociais do Gazeta Online na manhã desta segunda-feira, com manifestações contrárias e favoráveis.

Confira alguns comentários:

Todo trabalhador tem direito à greve. Ir contra esse direito só prejudica nós mesmos, trabalhadores. A empresa que precisa se organizar com um plano de contingência para manter o serviço. Total apoio. (Rayane Soares)

É inevitável. É o progresso, a revolução, modernização. Apenas não concordo com a fala do governo, que diz que vai reaproveitar a mão de obra, porém não admite que isso é um caminho sem volta e que com certeza vai diminuir as contratações. (Viltamar Mesquita)

Toda vez que acontece greve dos ônibus é a mesma coisa. A Justiça determina ao sindicato dos motoristas que coloquem nas ruas um percentual de ônibus para atender a população e acontece o seguinte: o sindicato nunca cumpre a determinação da Justiça e quando é multada não paga. A Justiça não tem como fiscalizar e a secretaria de transporte finge que fiscaliza. E é povo pobre que sofre. (Carlos Carvalho Loureiro) 

Já passou da hora de o Espírito Santo ter outras opções de transporte público! (Max Machado) 

Infelizmente às vezes tem que ser assim, fazer greve. Algumas pessoas não concordam, mas só quem passa por isso que sabe. Emprego está difícil de arrumar e o governo ainda está querendo tirá-lo do cidadão. (Jesse Julio da Costa) 

Ao pessoal que está defendendo o emprego que já se mostra ultrapassado, eu pergunto: estão vocês alugando DVDs ou assinando Netflix? Estão apoiando o desemprego do pessoal das locadoras? (Paulo André)

Essa conversa fiada de não ter demissões é mentira. Eles pensam que enganam. Não podem aceitar isso mesmo. Chega de desemprego. (Suely Vasconcellos) 

Vi no jornal que a categoria não ficará desempregada e que tem cursos para atuarem como fiscais etc. E serão somente nos ônibus com ar condicionado. (Lilian Claudino de Paula) 

A migração para o novo sistema é inevitável, assim como foi com Uber, assim como foi com datilógrafos etc. (Glauciere Demoner) 

Somos reféns de um sistema de transporte público. Nenhuma empresa pode entrar e disputar o mercado. Devemos aceitar o que os rodoviários bem querem. Sem falar no prejuízo no comércio. (Richard Amaral)

O governo vai demitir mesmo para enxugar a folha e quantos pais de família ficarão sem emprego? Já não basta o tanto de desempregados? (Adriana Santos) 

Parando a cidade e prejudicando os trabalhadores. Fazer greve é um direito mas atrapalhar quem precisa trabalhar é desrespeito. (Marcelo Faria) 

Terminal de Itacibá, em Cariacica, sem ônibus nesta segunda-feira (12)
Terminal de Itacibá, em Cariacica, sem ônibus nesta segunda-feira (12)
Foto: Fernando Madeira

O contrato com o Transcol foi feito por 25 anos e uma de suas prerrogativas seria proporcionar emprego para o cidadão, portanto tirar o trabalho de pais de família não é uma boa ação. Todo meu apoio ao trabalhador. (Vania Venancio) 

Não sei para que essa palhaçada de ônibus com ar condicionado e Wi-Fi. Nós precisamos é de segurança.

(Viviane Santos)

Eles falam em respeito. E como fica a gente que precisa desse dia para ganhar dinheiro? Difícil, hein! (Patyy Rodrigues) 

Em vez de fazer greve, o sindicato deveria ajudar os trocadores a se preparar para outras atividades profissionais. Infelizmente a modernização dos processos vão fazer com que algumas profissões desapareçam do mercado. (Denis Peres) 

Esse sindicato só pensa no próprio umbigo, atrapalhando o trabalhador em plena segunda-feira a ir trabalhar.  (Jiberlandio Sahad) 

Total apoio, pois são muitos pais e mães que vão ficar sem emprego. Conheço cobradores que trabalharam a vida toda nessa profissão e muitos vão perder seus empregos. (Anny Portela)

Concordo plenamente! Já estamos com milhares de desempregados, as empresas só querem diminuir os custos e repassar o prejuízo para o trabalhador! (Juliano Salazar) 

Ninguém vai ficar sem emprego. Vão ser poucos os ônibus que vão rodar sem cobrador. Vai ser só o sistema de integração, ou seja, de terminal a terminal. (Eduardo Gomes) 

A população que precisa do busão para trabalhar e viver é que paga o pato, infelizmente. Liberem as catracas, então, e prejudiquem exclusivamente o empresário e nunca o povão trabalhador que depende desse transporte. (Luiz Antônio Vieira) 

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