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Mesmo com país em recessão técnica, economia do ES cresce

Apesar de situação no Estado estar melhor do que a nacional, a atividade econômica começa a retrair. Passou de 3,5% em fevereiro deste ano para 1,9% em maio

De acordo com o Banco Central, país está em "recessão técnica"
De acordo com o Banco Central, país está em "recessão técnica"
Foto: Reprodução

A economia brasileira segue patinando em 2019. De acordo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (12), no segundo trimestre deste ano foi registrada uma retração de 0,13%, de acordo com o Índice de Atividade Econômica (IBC-BR), uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre foi registrado um recuo de 0,2%, o que indica uma "recessão técnica" - caracterizada por um recuo do PIB em dois trimestres consecutivos. 

No Espírito Santo, o PIB segue crescendo, mas a atividade econômica vem registrando avanço menores mês após mês. Para se ter uma ideia, em fevereiro o crescimento foi de 3,5%, em março 3,3%, depois 2,9% em abril e 1,9% em maio – último dado disponível.

 

Para o economista Eduardo Araujo, os números apontam que a economia está encolhendo. "Essa situação pode ser traduzida como sinal de alerta de que a redução no volume de negócios pode agravar quadro de desemprego e encolhimento do nível de renda das pessoas", explicou.

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De fato, o país nem bem saiu de uma recessão e começa a entrar em outra. O economista e professor universitário Antônio Marcus Machado vê 2019 como um ano sem muita perspectiva de melhora. "Fazendo uma metáfora com futebol, acabou o primeiro tempo e a gente está perdendo de 1 a 0. Agora no segundo tempo, que seria o segundo semestre, a gente tem que tentar empatar, tomando cuidado pra não levar uma goleada", traduziu.

Ele estima que o PIB nacional deve crescer, ao final do ano, um total de 0,5% - número ainda menor do que é esperado pelo mercado (0,8%). "Um fato adicional que nos traz preocupação é a desaceleração do PIB alemão e essa disputa comercial entre Estados Unidos e China. Como dependemos do comércio exterior, essas duas situações podem dificultar, ainda mais, a nossa realidade", completou.

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Futuro

Para que o Espírito Santo não seja tão afetado pelo cenário nacional, os especialistas propõem algumas medidas. "Uma das alternativas para o crescimento de longo prazo da economia capixaba é explorar essa vocação de negócios no comércio exterior. Falta uma sinalização mais clara de quando começarão a operar os novos portos. Os investimentos para avanço na infraestrutura associada a esses projetos (como estradas, ferrovias, por exemplo) poderia resultar em geração de muitos empregos para trabalhadores da área de construção", analisou Eduardo Araujo.

"A outra reflexão é sobre a alocação de recursos finitos da riqueza do petróleo. É preciso uma avaliação criteriosa das alternativas mais vantajosas para aplicação desses recursos", acrescentou.

FGTS

Uma possibilidade de melhora é apresentada pelo economista da Fucape Newton Bueno. "A possibilidade é para 2020. Em 2019 o PIB vai ficar abaixo de 1% mesmo e não tem como mudar. Mas a tendência é que, dependendo de uma série de circunstâncias, a economia ganhe força no ano que vem. Acredito que 2020 será mais favorável", disse o professor citando a conclusão da reforma da Previdência e o andamento da reforma tributária como exemplos de fatores que podem impulsionar o crescimento.

Eduardo Araujo também cita como motivo de confiança a reforma da Previdência e a liberação de recursos do FGTS. "A aprovação da reforma da previdência deve se traduzir em melhoria do nível de confiança do setor produtivo para investir, o que deve favorecer desempenho da indústria. Além disso, há estímulos de demanda (como a liberação de recursos do FGTS, queda da taxa de juros), que devem contribuir para ampliação do consumo", pontuou.

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Para o Instituto Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, os benefícios da liberação do FGTS devem ser sentidos até setembro do ano que vem. Segundo o Instituto, nem todo dinheiro a ser sacado será usado imediatamente. Se todos os R$ 42 bilhões que o Ministério da Economia projeta forem sacados, o impacto sobre o PIB seria de 0,85% - sendo 0,26% neste ano e 0,59% no ano que vem.

Focus

O Banco Central também divulgou nesta segunda-feira (12) o Relatório Focus, com previsões para o crescimento da economia, inflação, taxa de juros, entre outros indicadores. Segundo os analistas de mercado que ajudam a elaborar o relatório, a previsão de crescimento da economia neste ano saiu de 0,82% para 0,81%. Os analistas ouvidos pelo Banco Central também reduziram a previsão de inflação de 3,8% para 3,76%.

 

 

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