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Vereador de Linhares vira réu por "gato" de energia em imóveis

A esposa dele, Sônia Cremonini que na época chegou a ser presa em flagrante, também virou ré no processo

Viatura da Polícia Civil e caminhão da EDP em imóvel de vereador de Linhares em operação realizada em março
Viatura da Polícia Civil e caminhão da EDP em imóvel de vereador de Linhares em operação realizada em março
Foto: Loreta Fagionato

O vereador de Linhares, Odeir Rogério Bissoli, mais conhecido como Rogerinho do Gás, do PRP, e a esposa dele, a comerciante Sônia Cremonini do Nascimento Bissoli, viraram réus no processo que investiga a prática de furto de energia elétrica. Em março deste ano, Sônia chegou a ser presa em flagrante, após uma operação entre a Polícia Civil e a EDP.

Segundo a polícia, foi constatado que na residência do casal um dos medidores de energia apresentava fraude que acarretava na diminuição de pelo menos 50% da energia consumida.

O processo tramita na 3ª Vara Criminal de Linhares desde o dia 14 de março deste ano. Na decisão, proferida pela juíza Patricia Plaisant Duarte, no último dia 6 de setembro, a magistrada recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e determinou oito ações no processo.

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Em uma das ações, a juíza atendeu a um pedido feito pela ré Sônia Cremonini para que fosse revogada uma das medidas cautelares que previa o recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga. Segundo a magistrada, a medida "não guarda qualquer pertinência as circunstâncias fáticas dos crimes imputados ao paciente o que evidencia sua inadequação no presente caso", ressaltou na decisão.

No entanto, foram mantidas as demais medidas como comparecimento periódico em juízo a cada 60 dias e a proibição de se ausentar da cidade e do país sem autorização judicial.

O QUE DIZ O VEREADOR

Em entrevista ao Gazeta Online, o vereador Rogerinho do Gás disse que ainda não tomou conhecimento da decisão, mas que reitera o que disse em depoimento:

"Na verdade não estou nem sabendo disso aí. Não estou sabendo que foi aceita essa denúncia. Tenho que conversar com o advogado para ver o que ele vai falar. Eu sempre vou alegar o que disse na delegacia, que não foi eu que fiz. Na época minha casa era alugada. Eu não fiz nada".

Em nota, o advogado Walas Oliveira Soares, que defende os réus no processo, disse "que ainda não tomou conhecimento formal da denúncia ofertada pelo Ministério Público, pois o denunciado ainda não foi formalmente citado". Ainda segundo a defesa, "tão logo tomar conhecimento da denúncia, se concentrará em apresentar as defesas técnicas nos autos do processo, com vista a preservar a ampla defesa, o contraditório e a verdade real sobre os fatos contidos nos autos da ação penal, de modo a evitar interpretações equivocadas e distorcidas sobre a realidade", ressaltou.

ENTENDA O CASO

A casa e o depósito de gás do vereador Rogerinho do Gás foram alvos de uma operação da Polícia Civil e da EDP no dia 13 de março de 2019, por conta de uma denúncia de furto de energia elétrica. A suspeita era de que o "gato" de energia estava sendo usado há pelo menos dez anos.

Na época, a esposa do vereador, Sônia Cremonini - que estava grávida de 7 meses -, foi conduzida à 16ª Delegacia Regional de Linhares. Em depoimento, ela alegou não ter conhecimento do crime, mas mesmo assim foi autuada por furto de energia, pagou fiança no valor de R$ 5 mil e foi liberada para responder o processo em liberdade. 

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