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Assassino de Gerson Camata enfrentará júri popular

Marcos Venicio Moreira Andrade, de 66 anos, confessou ter atirado no ex-governador do Espírito Santo

Marcos Venicio Moreira Andrade
Marcos Venicio Moreira Andrade
Foto: Divulgação | Polícia Civil

O assassino confesso do ex-governador Gerson Camata vai enfrentar o banco dos réus. Marcos Venicio Moreira Andrade, de 66 anos, foi pronunciado - decisão que o conduz a júri popular - na tarde desta sexta-feira (28), pelo juiz Felipe Bertrand Sardenberg Moulin, da 1ª Vara Criminal de Vitória.

A sentença também manteve a prisão preventiva do acusado. A data do julgamento ainda não foi marcada. Marcos Venicio vai responder pelo crime de homicídio qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.

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Ele permanecerá detido no Centro de Detenção Provisória de Viana II, uma vez que o pedido de transferência dele para o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar (PM) foi negado em março deste ano.

Camata foi morto aos 77 anos, com um tiro. O crime aconteceu no dia 26 de dezembro de 2018, na Praia do Canto, em Vitória. O acusado, agora réu pelo crime, foi seu ex-assessor durante mais de 20 anos. Marcos, que confessou o assassinato, foi detido horas depois.

A motivação, de acordo com o acusado, foi uma ação judicial movida por Camata e que resultou num bloqueio de R$ 60 mil em sua conta bancária.

ARGUMENTOS

Em sua decisão o juiz aponta a existência da "materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação" do acusado no crime de Camata. "Verifica-se a presença de comprovação mínima da existência de elementos suficientes para demonstrar a viabilidade da imputação ao suspeito apontado na acusação, de desferir disparo de arma de fogo contra a vítima", diz na decisão, citando dentre as provas existentes a arma utilizada no crime apreendida pela polícia e os depoimentos prestados.

FOTOJORNALISMO l Assassinato de ex-governador na Praia do Canto

Na mesma decisão, ao negar o pedido de prisão domiciliar ou revogação da prisão preventiva solicitado pela defesa, o juiz destaca a periculosidade do acusado. "Evidenciada pelas circunstâncias em que o crime teria sido cometido, ou seja, através do disparo de arma de fogo, no final da tarde em horário de grande circulação de pessoas e pedestres, na calçada de um dos bairros mais nobres da capital, denotando severa frieza do agente, embasam a custódia cautelar no resguardo da ordem pública, haja vista que a sociedade não pode ficar exposta a toda sorte de atos semelhantes, e à mercê de quem, pelo que consta, se mostra extremamente destemido", assinala, acrescentando que a manutenção da prisão é uma "forma de garantia da ordem pública".

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A defesa havia solicitado a soltura alegando que Marcos Venicio apresenta problemas de saúde que demandam atendimento especial. Segundo o juiz, o Complexo Penitenciário de Viana conta com setor médico de atendimento básico, onde o acusado já vem sendo medicado e, em casos de urgência, ele poderá ser transferido para um hospital da Grande Vitória.

SEM SURPRESA

O advogado Renan Sales, assistente da acusação, assinala que a família recebeu a notícia da pronúncia com satisfação. "Muito embora não tivéssemos dúvidas de que ele iria a júri, ficamos satisfeitos com a manutenção da prisão. É uma tranquilidade para a família da vítima e para a sociedade", disse.

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De acordo com Sales, apesar da defesa e do Ministério Público terem solicitado a soltura do réu,  há materialidade do crime e indícios de autoria necessários para que o réu seja pronunciado, segundo o Código de Processo Penal. "Embora tenha se utilizado de justificativas mentirosas, o réu confessou que atirou, portanto a pronúncia é medida que se impõe com tranquilidade", destacou.

Imagem mostra Gerson Camata cumprimentando amigos na Praia do Canto pouco antes do crime
Imagem mostra Gerson Camata cumprimentando amigos na Praia do Canto pouco antes do crime
Foto: Reprodução de vídeo

Em relação à prisão, lembrou que a gravidade do crime coloca em risco a garantia da ordem pública. "O acusado, pelas circunstâncias, demonstrou absoluto menosprezo com a vida humana. Colheu a vítima de forma covarde, no final da tarde, num dos bairros mais movimentados de Vitória, sem temor de nada e tendo por motivo uma briga judicial. Mostrou ainda que desrespeita as decisões judiciais. Não satisfeito com uma sentença, matou quem ele entendia que deu causa a decisão", pondera.

RISCO

Salles observou ainda que em decorrência disso havia riscos para a família de Camata. "Se o acusado ficou insatisfeito em decorrência de um bloqueio judicial em sua conta e matou Camata, imagina agora a família da vitima. Há risco para eles, com ele solto, já que o réu não respeita decisões judiciais".

A advogada de defesa de Marcos Venicio, Junia Karla Passos Rutowitsch Rodrigues, não retornou as chamadas e mensagens enviadas pela reportagem até o fechamento desta matéria.

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