Entrevista

Amaro admite frustração ao ser tirado da disputa ao Senado pelo PRB

Deputado estadual afirma que ponderou com a presidência nacional do partido para que a candidatura fosse mantida, mas foi "voto vencido"

Tati Beling/Ales

Empatado tecnicamente com o senador Ricardo Ferraço (PSDB) na disputa por uma vaga ao Senado nestas eleições, de acordo com a última pesquisa do Instituto Futura, o deputado estadual Amaro Neto (PRB) admitiu que a decisão do partido de tirá-lo do pleito ao cargo "frustra um pouquinho". Por orientação do presidente nacional do PRB, o ex-ministro Marcos Pereira, o parlamentar vai ser candidato a deputado federal.

Segundo Amaro, a mudança foi definida em uma longa reunião entre ele, o presidente da executiva estadual, Roberto Carneiro (PRB), e o ex-ministro. Na discussão, Amaro e Carneiro ponderaram que a candidatura do parlamentar havia conquistado boa musculatura, com o apoio de lideranças importantes, como a senadora Rose de Freitas (Podemos) e 19 deputados estaduais, que assinaram uma carta em apoio ao colega; além de uma intenção de votos expressiva nas últimas pesquisas.

"Eu tinha um trabalho focado para o Senado. Ponderamos muito, o presidente Marcos Pereira fazia ligações e dizia que o partido estava focado em ter uma presença maior na Câmara. Ele afirmou que outros Estados também estavam nessa direção, 'descendo' candidatos ao Senado para a disputa na Câmara. Fomos votos vencidos. Frustra um pouquinho, mas já assimilamos isso e estamos começando a trabalhar a eleição para deputado federal", contou.

Amaro aparecia, de acordo com pesquisa publicada pelo Instituto Futura no último dia 17 de julho, em terceiro lugar, com 35,8% das intenções de votos dos entrevistados. Ele estava empatado tecnicamente com Ferraço, que mostrou 39,4% da preferência. Magno Malta (PR) liderava com 43,8%. Nestas eleições, duas cadeiras para senador estão vagas. 

Em nota, a Executiva estadual do partido elogiou Amaro e disse que o parlamentar teve "espírito de grupo" ao aceitar abrir mão da candidatura.

Confira a entrevista com Amaro Neto: 

"FUI VOTO VENCIDO"

Por que foi feita essa mudança?

Tivemos uma conversa o dia inteiro ontem em Brasília, com as lideranças partidárias do PRB na Câmara e com o ex-ministro Marcos Pereira, ponderando essa "descida" para uma mudança para a disputa de deputado federal. O partido quer começar a construir uma presença maior na Câmara. A meta é eleger em todo o país 25 deputados federais. Por isso, alguns nomes que estavam na disputa pelo Senado nos Estados foram "descidos" para a eleição de deputado.

Isso te desagradou?

Ponderamos, eu e o Carneiro, que tínhamos apoio de lideranças importantes no Estado, como a senadora Rose de Freitas (Podemos); a Assembleia Legislativa, em que 19 deputados estaduais assinaram uma carta em apoio ao colega; além de uma indicação de votos expressiva nas últimas pesquisas. É claro que frustra um pouquinho, estávamos com um trabalho focado no Senado. Porém, fomos votos vencidos. Mas agradeço aos 19 deputados que assinaram a carta e a população que quando entrevistada me conduzia a um apoio expressivo de intenções de voto.

O que muda nos seus planos políticos?

De imediato, precisamos trabalhar na candidatura à Câmara e construir nossa coligação do zero. Uma coisa é você disputar ao Senado, que são seis candidatos em uma eleição majoritária. Outra coisa é uma disputa na proporcional, com muito mais pessoas. Será uma eleição muito dura, tem candidatos trabalhando a mais tempo. Já assimilamos a mudança.

Isso muda o acordo com a senadora Rose de Freitas, candidata ao governo?

Da minha parte está mantido, precisa ver como vai ser daqui para frente. Agora é outra campanha. Começamos a construir do zero. Mas o trabalho continua, vamos nos reunir com o partido e teremos nossa convenção no sábado.

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