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Após interdição, governo fala sobre dispositivo de proteção na ponte

Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp) vai se pronunciar sobre o dispositivo de proteção na Terceira Ponte em entrevista coletiva na manhã desta terça

Motoristas aguardam a liberação da Terceira Ponte,  interditada nesta segunda-feira (10)
Motoristas aguardam a liberação da Terceira Ponte, interditada nesta segunda-feira (10)
Foto: Vitor Jubini

A Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp) do Governo do Estado anunciou que vai se pronunciar sobre o dispositivo de proteção na Terceira Ponte na manhã desta terça-feira (11). A entrevista coletiva está marcada para as 9h30 na sede da Arsp, em Vitória. 

Em junho, após cinco horas de via fechada com mais uma tentativa de suicídio no local, a Arsp havia dito que ainda não tinha data para implantação da barreira de proteção na Terceira Ponte. A ideia, na ocaisão, era a colocação de cabos de aço sustentados por estruturas metálicas inclinadas. 

O Governo havia alegado que, após o projeto ter sido entregue pela Rodosol, concessionária que administra a via, a Arsp o encaminhou para o Ministério Público Estadual (MP-ES) para que o órgão verificasse o possível impacto na instalação dos equipamentos de proteção sobre a tarifa do pedágio.

O MP-ES disse, em nota, que é preciso que haja uma decisão sobre a instalação do mecanismo de segurança antes do parecer sobre os efeitos da intervenção sobre o preço da tarifa. 

Nesta segunda (10), uma operação de resgate interditou as duas faixas da Terceira Ponte por oito horas. O bloqueio, que começou às 15h19 e terminou às 23h20, deu um nó no trânsito da Grande Vitória. Bombeiros e policiais negociaram com uma pessoa que tentava se suicidar no local. Segundo a Rodosol, a operação foi “finalizada com sucesso”.

Essa foi a terceira vez que a principal via de ligação entre Vitória e Vila velha foi bloqueada por um longo período neste ano, e a quarta vez em 15 meses. Além de junho, em 19 de julho, a via ficou bloqueada por duas horas. No ano passado, em julho, outra interdição bloqueou os dois sentidos por três horas. Em todos os casos, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar conseguiram resgatar as pessoas.

O BLOQUEIO

A Terceira Ponte foi bloqueada por volta das 15h19 desta segunda-feira (10) para uma operação  de resgate. O Corpo de Bombeiros auxiliou na ocorrência. A interdição da principal via de ligação de Vitória e Vila Velha já a maior da história.

TRÂNSITO DEU NÓ

Na primeira hora de interdição, os motoristas tiveram que ter paciência para lidar com o trânsito na Grande Vitória. Pelo menos vinte avenidas entre Vila Velha e Vitória ficaram completamente congestionadas até a noite desta segunda.  

MOTORISTAS NERVOSOS

Com os nervos à flor da pele, condutores fizeram um buzinaço na praça do pedágio, em Vitória, como forma de protesto. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) informou que houve um reforço da Força Tática no local. 

CONFUSÃO E BOMBAS

Motoristas impacientes com a demora em liberar a ponte tentaram furar o bloqueio da praça de pedágio, em Vitória, e foram contidos após a polícia lançar bombas de efeito moral. Após a atuação policial, os motoristas recuaram e voltaram a respeitar o bloqueio.

NOITE ATÍPICA NO TRÂNSITO DA GRANDE VITÓRIA

Normalmente, o grande fluxo de veículos nas vias da Grande Vitória começa por volta das 17 horas e finaliza por volta das 19h. Mas, nesta segunda-feira (10), os motoristas tiveram que ter paciência para lidar com o congestionamento em pelo menos vinte vias de Vitória e Vila Velha. Até a noite desta segunda, por volta das 23h21, ainda era registrado lentidão em algumas avenidas de Vitória.

A RECLAMAÇÃO: A FALTA DE PROTEÇÃO

Muitos motoristas que ficaram presos no trânsito próximo à ponte apoiam que uma rede de proteção seja instalada no local. O médico Antônio Lemos, que estava preso no trânsito desde as 16 horas, questiona a falta do equipamento. "Já desliguei o carro, já dormi. Estou voltando de um plantão. Eu acho o que falta é uma proteção na ponte, eficiente, que já deveria ter colocado", avaliou.

Médico Antonio Lemos, um dos motoristas preso no trânsito por conta da interdição da Terceira Ponte
Médico Antonio Lemos, um dos motoristas preso no trânsito por conta da interdição da Terceira Ponte
Foto: Rafael Monteiro de Barros

O QUE DIZ A RODOSOL

Questionada sobre a instalação da rede de proteção, a Rodosol informou que já apresentou o projeto para a Arsp. "Aguardamos definição da agência em relação ao projeto".

O QUE DIZ O MINISTÉRIO PÚBLICO

Acionado pela reportagem, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vitória, informa que aguarda documentação da ARSP. "Em relação à necessidade de instalação da proteção, o MPES informa ainda que existe uma Ação Popular, que tramita no Judiciário, para que a Rodosol e o Estado do Espírito Santo adotem as providências necessárias para a mitigação de suicídios na Terceira Ponte. Em manifestação nesse processo, que trata especificamente da instalação de grade de proteção, o MPES foi favorável ao deferimento do pedido".

O QUE DIZ A ARSP

A Agência de Regulação dos Serviços Públicos do Espírito Santo (Arsp), que precisa autorizar a implantação do projeto de uma barreira de proteção na Terceira Ponte, foi demandada pela reportagem, mas ainda não respondeu aos questionamentos.

No fim de julho deste ano, a agência informou que ainda não havia previsão de implantação de uma proteção. A ideia é colocar cabos de aço sustentados por estruturas metálicas inclinadas dos lados da ponte.

Após o projeto ter sido entregue pela Rodosol, concessionária que administra a Terceira Ponte, a Arsp o encaminhou ao Ministério Público Estadual (MPES) para que o órgão verificasse o possível impacto da instalação dos equipamentos de proteção sobre a tarifa do pedágio.

Com colaboração de André Rodrigues, Gabriela Singular e Karen Benício