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Celulares de piloto e empresário desaparecidos "apagaram" ao mesmo tempo

Torres de telefonia mostram que os aparelhos pararam de enviar dados ao mesmo tempo, o que indica que a asa-delta motorizada pode ter caído na água. Buscas na Lagoa Juparanã são intensificadas

Buscas realizadas na Lagoa Juparanã, na manhã desta sexta-feira (28)
Buscas realizadas na Lagoa Juparanã, na manhã desta sexta-feira (28)
Foto: Loreta Fagionato

Os celulares do piloto Mayke Stefanelli Barcelos e do empresário Douglas Siqueira Lana “apagaram” ao mesmo tempo, o que indica que a asa-delta motorizada modelo Trike, onde eles estavam, pode ter caído na água. É o que afirma o tenente-coronel Ferrari, que coordena as buscas pelos desaparecidos. Mayke e Douglas sumiram há uma semana, quando seguiam de Linhares para Mucuri, na Bahia, para um encontro de aeronaves. Eles saíram na manhã do dia 21, por volta das 5 horas, de uma pista no bairro Jardim Laguna.

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Com a hipótese da asa-delta motorizada ter caído na água, as buscas na Lagoa Juparanã, em Linhares, estão intensificadas. Já é o terceiro dia de trabalho no local. Cinco equipes atuam na região, sendo uma na água, com um barco inflável, um jet ski e um sonar que escaneia o fundo da lagoa. As outras quatro equipes seguem por terra, em região de mata. Há ainda uma equipe na Reserva Natural da Vale. Pelo menos 22 homens realizam o trabalho nesta sexta-feira (28).

“Temos um indício forte que pode ter havido uma queda na água. Pesquisando e conversando com o pessoal da Força Aérea que está acostumado a fazer esse tipo de busca, há caso de aeronave que caiu e até pegou fogo e muito tempo depois o celular ainda mandava sinais. Então, quando os dois celulares apagam ao mesmo tempo, é um indício muito forte que possa ter caído na água”, explicou o tenente-coronel, que agora coordena as buscas diretamente do quartel do Corpo de Bombeiros, em Linhares.

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Os dados telefônicos, junto com os relatos, norteiam o trabalho dos bombeiros na região da Juparanã. “A gente coloca a lagoa na hipótese por causa da conexão do celular com a torre telefônica do bairro Canivete, então a aeronave estava mais ao sul da lagoa conforme esse dado. Mas o Mayke pode ter seguido um pouco para leste, em direção ao litoral, e a gente tem varrido a partir do Guaxe (interior de Linhares) em direção ao sul, aeroporto e litoral. Estamos batendo as áreas de mata onde a aeronave pode ter caído e não é visível via aérea. Porque se o piloto tivesse pousado ou escolhido onde pousar, ele estaria em um lugar visível. Então a aeronave não parou onde o piloto queria e a gente tem que procurar aonde ela pode estar invisível para sobrevoos”, destacou Ferrari.

RESERVA QUASE DESCARTADA

Tenente-coronel Ferrari coordena os trabalhos de buscas
Tenente-coronel Ferrari coordena os trabalhos de buscas
Foto: Loreta Fagionato

Com as buscas na Lagoa Juparanã, a possibilidade da aeronave ter caído na região da Reserva Natural da Vale ou na Reserva Biológica de Sooretama está praticamente descartada. “Uma equipe está no local, até para descartarmos a região caso nada seja encontrado. A gente confirmou vários relatos de avistamento que foram considerados fidedignos e são coerentes em termos de horário e direção da aeronave, e que indicam outra direção, mais ao sul”, ressaltou o tenente-coronel.

Segundo ele, houve uma forte chuva no caminho que Mayke seguiria com a asa-delta motorizada, e isso pode ter feito o piloto mudar a rota e voltar na direção sul. “Os avistamentos mais próximos de 7 horas (do dia 21) são na região do Guaxe (no interior de Linhares) e alguns apontam em direções um pouco variadas, mas nenhuma delas informa que a aeronave seguiu para o norte. Até porque temos relatos e imagens de câmeras de segurança que mostram que veio uma chuva muito forte do norte, e isso nos leva a crer na hipótese de que o Mayke decidiu voltar, porque para o norte o vento estava muito ruim. O vento começou a soprar muito forte do norte para o sul e veio essa chuva, então ele não seguiu para o norte”, defende Ferrari.

CONTINUIDADE DAS BUSCAS

Ainda não há um prazo definido para as buscas serem encerradas. “Enquanto a gente tiver indícios fortes e uma hipótese forte a ser averiguada, a gente ainda tem que trabalhar para descartar essa pista. E quando descartamos uma hipótese mais forte, a gente vai para uma pista mais fraca. Se a gente ficar com uma área bem coberta e sem hipótese de outro lugar para onde ele possa ter ido, aí começa a ficar difícil, porque mandaria as equipes para buscar onde? Eu tenho que ter alguma indicação de um lugar onde possa procurar. Temos seguido toda dica e pistas, mandamos equipe de buscas mesmo fora da hipótese, para descartar esses relatos”, disse o tenente-coronel.

A força-tarefa que atua nos trabalhos de buscas continua com o Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental e Força Aérea Brasileira (FAB). Ao todo, foram percorridos 1.500 quilômetros quadrados por sobrevoo e 200 quilômetros quadrados por terra. “O NOTAer da Polícia Militar não está mais sobrevoando porque já fez o sobrevoo que seria possível avistar. Não tem nada visível em copa de árvore ou em campo aberto, então o trabalho agora é em solo mesmo. A FAB ainda está voando para fazer os padrões de busca e escaneamento com os equipamentos deles, e nós temos várias equipes em solo, com cães farejadores e equipes de homens adentrando a região de mata para procurar”, avisou o coordenador das buscas.

 

 

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