Notícia

Fora do governo Bolsonaro, Carlos Manato critica ministro Onyx

Ex-deputado diz que chefe da Casa Civil tem jeito centralizador de conduzir a articulação política. O capixaba era secretário especial para a Câmara Federal

Carlos Manato é deputado federal há quatro mandatos
Carlos Manato é deputado federal há quatro mandatos
Foto: Carlos Alberto Silva

Já fora da Casa Civil do governo Bolsonaro, o ex-deputado federal Carlos Manato (PSL) criticou, nesta quinta-feira (13), o ministro da pasta, Onyx Lorenzoni (DEM). A saída de Manato foi publicada como exoneração "a pedido", mas em nota enviada ao jornal "O Globo" a pasta informou que a demissão dos secretários especiais, entre eles Manato, deu-se porque eles não apresentaram os resultados esperados na articulação.

O capixaba era secretário especial para a Câmara Federal. Inicialmente, ele disse ao Gazeta Online que queria sair, sem rusgas com Onyx, apenas para cuidar do PSL, partido que preside no Espírito Santo. Depois da notícia de que demista o exoneraria, disse que iria trabalhar no Ministério da Educação. Agora, admite que o clima na Casa Civil não era bom e que o ministro o avisou, por telefone, quando ocorreria a exoneração. "Mas ele só antecipou isso em alguns dias porque eu já havia dito que do jeito que estava não dava mais", afirma Manato.

O "jeito", segundo o agora ex-secretário especial, era a maneira centralizadora de Onyx conduzir a articulação política. 

Ele não delegava funções. Não foi muito educada a forma (a nota da Casa Civil), poderia ter sido mais tranquila a forma de falar. Dizer que a gente não está produzindo sem dar a função?
Carlos Manato (PSL), ex-deputado

Onyx também tem recebido críticas da bancada do PSL na Câmara. No lugar de Manato, nomeou Abelardo Lupiom (DEM-PR). "É um amigo dele (Onyx), que entra na sala dele a hora que quer, sem nem pedir licença. Mas ele vai só ajudar na transição lá na Casa Civil. Não é ele que vai fazer articulação", prevê o ex-deputado.

Manato diz que a estrutura atual da Casa Civil, com secretarias especiais temáticas a cargo de ex-parlamentares foi ideia de Onyx "e não do presidente Bolsonaro". Tal estrutura deve ser alterada.

"BANCO DE TALENTOS"

O capixaba também diz que o chamado "Banco de Talentos", que concentra indicações de apadrinhados por parlamentares para cargos "de terceiro e quarto escalões" do governo nos Estados, não foi posto em prática como o prometido.

> "Banco de talentos" do governo Bolsonaro divide a bancada capixaba

"O presidente não quer toma lá, dá cá. Mas aceitou indicações de pessoas qualificadas. Os parlamentares indicaram quadros técnicos. Isso foi em março. Já faz mais de 70 dias. Nem 10% foram nomeados."

R$ 17,3 mil

Era o salário bruto de Manato como secretário especial para a Câmara Federal na Casa Civil do governo Bolsonaro. Mas ele diz que, líquidos, eram R$ 8,3 mil

Apesar das críticas, Manato diz não querer polemizar. Na próxima terça-feira Onyx vai à Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (18) falar sobre o decreto de Bolsonaro que amplia o acesso da população a armas. E o PSL poderia aproveitar para espezinhar o demista. O ex-secretário especial quer fazer crer que não é um entusiasta da ideia: "Pedi para não tocarem nesse assunto (das demissões na Casa Civil) ,não é assunto para gerar polêmica. Não podemos criar polêmica".

Em nota enviada ao Globo, a Casa Civil informou que "quando houve o convite para que ex-parlamentares compusessem a equipe da Casa Civil, a ideia era facilitar o processo de interlocução com as bancadas. No entanto, apesar da expertise e do esforço dos mesmos, os resultados não foram os esperados. Assim, o governo está fazendo ajustes".

Ver comentários