Reportagem especial

A luta de trabalhadores para sobreviver do lixo

Em pelo menos 16 cidades capixabas ainda existem aterros onde o lixo é descartado de forma irregular. Reportagem mostra a luta de trabalhadores expostos a todo tipo de resíduo para garantir a sobrevivência

Publicado em 19/11/2017 às 06h57

Texto: Luisa Torre, Mikaella Campos e Natália Bourguignon

Fotos: Marcelo Prest

Quinto maior produtor de lixo no mundo, o Brasil ainda tem a erradicação dos lixões como um desafio difícil de superar. São quase 3 mil áreas irregulares em operação em 1.552 municípios, de acordo com o relatório Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Essa triste realidade ainda está presente em pelo menos 16 municípios do Estado, onde existem lixões com centenas de famílias tirando seu sustento num trabalho precário e degradante, sem uso de equipamentos de proteção - como botas e luvas -, vulneráveis a acidentes com itens hospitalares, descartados sem qualquer controle ambiental.

Um levantamento feito pela Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes) em 2016 mostrou que existem cerca de 1.000 pessoas trabalhando como catadores no Espírito Santo. Em 2015, havia 16 associações no Estado. Hoje, há mais de 70 e ainda há 8 a 10 municípios fora da cobertura do trabalho da agência, que visa qualificar catadores para atuar dentro da lógica associativista.

Você acompanha a partir de agora uma reportagem especial que analisa o sistema de coleta e descarte de lixo no Estado e o drama dos trabalhadores do setor em lixões espalhados pelos municípios.

Nos lixões, vidas em risco na luta pela sobrevivência // Apesar de proibidos, lixões a céu aberto existem em pelo menos 16 cidades capixabas, onde pessoas arriscam a vida em meio a urubus, animais mortos e rejeitos contaminados. Continue lendo

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Catadores de lixo são vítimas do descaso público // Quem ainda atua em lixões desempenha, segundo as autoridades, atividade análoga à escravidão. Continue lendo

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Catadores ficaram órfãos do lixão e sem rendimentos // Em Pedro Canário, o lixão foi fechado e os catadores receberiam uma bolsa até o fim da obra de uma usina de reciclagem. Mas o benefício foi cortado e a usina não ficou pronta. Continue lendo.

 

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Trabalho é duro, mas não coloca comida na mesa // Abandonadas, algumas associações de catadores recebem materiais contaminados e garantem renda entre R$ 100 e R$ 200 para trabalhador. Continue lendo.

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Riqueza do lixo não vai para o bolso dos catadores // Intermediários compram material das associações a preços baixos e revendem 90% do material fora do Estado com preço até 140% maior. Continue lendo.

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Dinheiro público para política de resíduos acaba enterrado como lixo // Materiais recicláveis que deveriam ir para associações de catadores e garantir renda para esses trabalhadores acabam em aterros, gerando um custo milionário para prefeituras. Continue lendo.

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Contratos de limpeza pública escondem problemas e fraudes // Práticas como superfaturamento, direcionamento de licitações e editais fabricados por empresas já foram identificadas em prefeituras do Estado pelo Ministério Público Estadual. Continue lendo.

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A hora do jogo // Após entender a cadeia do lixo no Estado, seja você o catador de materiais recicláveis e teste seus conhecimentos sobre os resíduos no game. Participe.

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Municípios dão bons exemplos na gestão do lixo // Em cidades onde as associações são contratadas para fazer a coleta seletiva, os catadores têm boas condições de trabalho e recebem salários até acima do mínimo. Continue lendo.